terça-feira, 13 de outubro de 2015

Tempos

Eu gostei de você. Gostei de verdade. Gostei de um jeito que doía pensar em você.

Não sei porquê ainda penso em você, mas de um jeito muito diferente. Eu não sinto saudades de você, nem dos momentos: sinto saudades do que tínhamos, sinto saudade do sentimento que eu tinha. Um amigo que me abriu os olhos sobre isso: eu não estava mais sentindo sua falta, estava sentindo falta de sentir.

Hoje, é muito bom que nós ainda conversemos. Daquele jeito, claro. Tentando formar uma amizade que, possivelmente, jamais vingará, porque você me dá as coisas concretas do passado e eu vejo as múltiplas versões das verdades contidas nelas com o olhar do presente e a não existência de um futuro. Eu te levo na brincadeira. Você brinca comigo esperando seriedade. Deveria saber que não vai mais ter isso.

Eu agradeço por você ainda estar conversando comigo porque assim, nadando contra a corrente, fica mais fácil de te esquecer. Fica evidente que os sentimentos que eu tinha sobre você passaram a ser sobre os próprios sentimentos. E isso, meu caro, é mais complicado que gostar de ti.

Com relação a você, eu brinco e, de um jeito quase poético, te ignoro. E talvez é isso que faz você vir conversar comigo, porque se dependesse de mim, a gente nunca mais teria se falado. Besteira minha ou não, saudade não supera orgulho. Possivelmente lá na frente eu vou ver que estou errado, mas eu vou ter que aprender. Não há um atalho para isso.

Enquanto isso, enquanto a gente finge uma amizade que não virá, você relembra o passado e eu projeto a impossibilidade futura, a gente vai se distraindo.

Só não fechemos os olhos: nunca se sabe o que vai aparecer. Pro bem ou pro mal, a gente vai brincando entre os tempos.


Grazie per avermi
Fatto male non lo dimenticherò
Grazie io riparto
Solo controvento ricomincierò

4 comentários:

  1. Nossa! Que coincidência... destinos parecidos. Eu em http://robertorios.blogspot.com.br/2015/08/amor-como-droga.html

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    1. Oi Roberto! Obrigado pelo texto!

      Sempre tem alguém passando por alguma coisa parecida, né?

      Como sempre, a gente deixa a sorte nas mãos do tempo!

      Abraços!

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  2. Oi Vinicius!

    Poxa, teu texto tem um bocado de coisas que eu me identifiquei... Bom, acho que não há quem não tenha passado por uma situação semelhante. Minha avó dizia que "tudo com tempo, tem tempo!".

    As vezes é isso a gente só precisa deixar o tempo "ser tempo" e irmos seguindo o fluxo!

    Abraço grande para você e que possa logo sair dessa área de turbulência!

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    1. Oi Latinha, espero q esteja tudo bem contigo, meu caro!

      O tempo cura tudo... não tem como mesmo, é só ele.

      Mas o que não dói mais nos diverte e nos distrai, então deixa brincar!

      Abraços!

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