sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

E um ano depois...

Oi! Então, complicado começar a explicar porque não posto há tanto tempo.

Bem, devo primeiro avisar que, por inúmeras vezes, tentei escrever aqui. Inclusive, fiz textos praticamente completos, mas hoje eu não vou me permitir não publicar este.

Já vi por aí falando que se consegue escrever melhor quando se está triste, pois é quando as emoções são passíveis de fato de serem colocadas no papel (ou no teclado). E, pra mim, isso é uma verdade.

A questão é que quando estamos completamente ou bastante felizes parece que não se tem muito tempo para fazer outras ações que não te liguem diretamente a isso.

Bem, retornarei a um passado breve. Como não escrevo a cerca de um ano, aí será o caso.

Há um ano eu comecei um trabalho que requer viagens diárias em um navio. Trabalho todos os dias, sem folga. Parece uma grande maravilha, mas infelizmente está longe disso. Óbvio que tem seu lado bom, mas não é isso que devo discutir aqui.

Neste um ano, eu vivenciei experiências únicas, (muito) boas e (muito) ruins.

Devo ressaltar que o ambiente, enquanto relações humanas, é fantástico, por conta da variedade de culturas, línguas e pela quase inexistência de preconceitos que em terra são quase não inexistentes. Isso me deixa, em uma parte, bem confortável. Não que eu me importe com isso em terra, mas aqui não se julga por cor de pele, religião, sexualidade e nacionalidade (nessa última, existe uma rincha e certa rivalidade, porém ainda com um respeito desconhecido em terra, embora certos pensamentos, infelizmente, ainda podem ser considerados xenofóbicos e generalistas).

Enfim, toda essa história (me contaram que não existe "estória" mais, porém espero que seja uma mentira!) é para contar de algo incrível que aconteceu e que, por muito tempo, me deixou muito feliz.

Conheci um garoto fantástico há um tempo atrás. Tivemos um (insira aqui um termo que achar mais conveniente, visto que eu não sei o que tivemos) maravilhoso por dois meses juntos.

Às vezes me parecia um sonho. Quando tínhamos tempo livres, estamos sempre juntos, saíamos juntos, acordávamos e dormíamos juntos. Inclusive, ficamos "famosos" dentro no navio como o casal mais querido. E assim seguiu até que entrei de ferias e ele continuou. Durante minhas férias e por mais três meses, sempre nos falávamos e seguíamos com o nosso "algo", porém já separados, sempre pouco conversando de como faríamos no futuro, visto que ambos não sabiam (ou sabem) o que fazer.

Há poucos dias, vendo que ele não estava demonstrando tanta vontade de seguir, nós acabamos aquilo que tínhamos. Me havia mandado uma mensagem deixando subentendido o que queria e eu fui fazer as honras de cancelar tudo, com aquele velho jeito de dar um tempo, que eu, pessoalmente, desacredito que de fato exista e funcione.

Não omito uma parte que, infelizmente, ocorreu e que sobre fatos não há argumentos: no réveillon, depois de ficar bêbado em um nível beeeem acima do aceitável, eu fiquei com um menino. Nunca havíamos feito um trato de fidelidade porque nunca declaramos que estávamos namorando, mas também eu não tinha vontade de ficar com mais ninguém porque já havia quem eu queria. Achei honesto falar isso com ele pessoalmente durante as pouquíssimas horas (depois de praticamente um mês sem vê-lo) quando nos encontramos há alguns dias. Não pareceu um grande problema para ele e ficamos mais uma vez juntos, mas foi aí a última vez que o vi. Ele chegou a pedir lealdade a mim e eu disse que todo o tempo que estivemos com "algo" foi a única vez que eu fiquei com alguém e foi sem querer, pois realmente nem lembro. Juro que não sei se isso é melhor ou pior, mas me fez mal isso. Me senti e ainda me sinto péssimo por ter perdido o controle de mim mesmo e ainda ter feito algo irreversível. Sempre acreditei que, se você está junto, é porque precisa e quer estar só com aquela pessoa e não deve fazer nada que possa magoá-la de uma forma irreversível. Mas eu errei, confesso, e sei que desculpas não apagam o fato e sei que também não há nada a fazer contra isso.

Mas antes disso, no ano passado, já o sentia um pouco diferente, mas não queria ver e não sabia o que pensar. Embora tivéssemos ficado um bom tempo juntos (eu sei que dois meses parecem poucos, mas a vida aqui é muito diferente e o tempo parece maior e cada minuto parece valer mais) e ter sido tudo bem intenso, a gente pouco falava do nosso futuro juntos. Pensávamos numa possibilidade de ficarmos no mesmo navio ou algo assim, mas sabíamos que a possibilidade era pequena e de fato não se concretizou.

Tivemos, porém, bastante conversar de como somos, sobre as famílias, fizemos muitas brincadeiras e aprendemos um pouco mais sobre nós mesmos juntos, mas o futuro foi o ponto final nosso. Naquela última mensagem, me havia dito que não queria me "prender", pois não sabia o que queria do futuro. Antes, por mensagens, havia enviado para ele algumas "possibilidades" para a gente, mas não sei o que ele pensou. Talvez não goste de mim o tanto que precisava para ficarmos juntos ou tenha medo que ficarmos juntos e ter uma vida abaixo do que espera. Bem, agora não me faz muita importância e, de tudo o que penso, isso nunca está em pauta.

Confesso que ainda dói um pouco (às vezes, muito!), porque tudo isso foi bem recente. Eu gostava (gosto?!) muito dele. Desde o começo do nosso "algo" eu pensei que ele era O Cara com quem eu queria acordar todos os dias juntos, porque era maravilhoso estarmos juntos. Pelo menos, era isso também o que ele dizia. 

Eu posso estar equivocado e ele de fato pode estar precisando de um tempo para pensar na vida dele, mas eu não tenho mais forças para pensar nele sem saber se haveria esperanças para nós. Gostar de alguém é o sentimento mais gostoso do mundo, mas também é algo que dói de uma forma absurda. Parece que se constrói todo um castelo de vidro e que ele pode trincar e quebrar todo com uma tempestade. E eu sei que quebra.

Sinceramente, eu não sei se vou esquecê-lo. Tomando pela minha pequena experiência prévia, eu sei que, por um bom tempo, eu fico pensando no que poderia ter sido e isso fica por um boooom tempo, mas uma hora para. Infelizmente, é isso que eu estou fazendo hoje. Novamente contra a minha vontade, mas é a única coisa que posso fazer agora.

Na verdade, li um texto incrível que me ajudou bastante (fantástico como esses textos aparecem na sua timeline quando você realmente precisa deles!!). A mensagem geral é que desamar é algo complicado e que não deve ser buscado. O desapego é o que deve ser obtido. E é isso que tem me feito neutralizar meus pensamentos e não me fazer sofrer. Inclusive, várias vezes, quando estávamos separados espacialmente, eu disse que, independente como fosse, eu queria que ele ficasse bem e fosse feliz. E a primeira parte disso foi a última mensagem que ele recebeu de mim. Ainda quero que ele seja feliz, seja como for. Não cancelo o ser incrível e indescritível que ele é. Só não posso basear a minha felicidade em cima da dele. O que, na teoria, é sempre fácil. Para dar pitacos na vida amorosa dos amigos parecemos doutores na arte dos relacionamentos; quando voltamos à nossa própria realidade, não chegamos a nem calouros no primeiro dia da faculdade.

O que tiro de tudo isso é que Drummond estava certo: "O sofrimento é inevitável; dor é opcional". Talvez demore um tempo, mas se aprende a viver com isso. Se passa daquele "não vou conseguir deixar de amá-lo" e "nunca mais vou amar alguém", mas sei que a minha cabeça é um pouco mais complicada do que isso. Não sei o futuro e, para ser sincero, na questão do amor, é o que eu menos quero saber agora. Ficando de boa comigo mesmo, pra mim, já é o ideal.

Tomo todo esse texto como uma forma de externalizar da minha forma mais honesta os meus sentimentos, até mesmo porque meus amigos já não suportam me ouvir falar disso hahaha, embora eu tenha praticamente já parado. Eu estava sofrendo muito mais, agora estou naquela vibe de que se não há remédio, remediado está. Claro que vai me tomar um tempo e pensamentos ainda, mas é o preço que a cabeça paga por conta das tretas do fdp do coração.

Tirando como parte boa disso, é que já passou as fases da maioria das músicas: a comemoração e a tristeza de ser solteiro, a beleza de encontrar o amor e a tristeza e a superação de ser deixado! Quase um doutor de semiótica musical!

No mais, me perdoem por não ter vindo antes. Aqui é meu espaço, é algo que tenho como porto seguro. Eu sei que aqui posso depositar meus sentimentos e me sentir bem em deixá-los aqui. E para quem interessar, o fantástico texto de que eu falei: http://www.contioutra.com/arte-desapego/

E para quem também interessar, eu estou solteiro! (Ok, brinks... Preciso de um tempo! Brinks... Negociamos!)

Beijos!

4 comentários:

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    1. Oi, meu caro homem lata! Obrigado pelo seu comentário e pela indicação do texto!

      Tá tudo melhorando sim. Estou mais tranquilo e desapegando. Claro que ainda doi, mas faz parte.

      Espero que esteja tudo bem com você!

      Abraços!

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  2. Que coincidência! Chegando aqui via Latinha e logo depois de comentar num texto que fala justamente sobre desapego (amaresentido.blogspot.com). E seu texto indicado vai justamente de encontro ao que eu acredito.

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    1. Oi Eduardo! Obrigado por chegar até aqui!

      Assim seguimos com nossa busca ao desapego! Obrigado pela indicação do blog!

      Abraços!

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