terça-feira, 24 de setembro de 2013

Por que eu te assusto? - parte II

Meu último texto deve ter ficado bem confuso, acredito eu. Não o li de novo. Foi escrito meio de impulso. Não de raiva, mas sim de um grito um pouco sufocado. Parece esquisito, mas cansa "ser os centro das atenções".

O fato de muita coisa ser discutida sobre os LGBTTT's (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) é cansativo para esse ser que aqui escreve e que gosta de descobrir muitas coisas, que fica entediado em pouco tempo.

Mas, por favor, não me entendam errado! Vou precisar aprofundar um pouco mais para explicar o meu ponto. De uma forma bem simples, acho que discutimos muitas coisas que, para mim, são absurdas de serem discutidas, porém, infelizmente, nossa sociedade não pensa assim.

Não que eu seja o certo, também! Não é isso! Mas é que eu fico pensando que estamos tão evoluídos para muitas coisas e tão absurdamente atrasados em outras. Temos uma história bem recente de lutas e conquistas das minorias (independente da quantidade, fazem parte das minorias aqueles são oprimidos socialmente) e, claro, isso se reflete ainda hoje. Porém, a minha cabeça não funciona muito bem analisando esse tipo de perspectiva de construção histórica lenta e gradual. Tudo parece lento demais! Mas, claro, sou obrigado a compreender que não é possível mudar formas de pensar de toda uma sociedade em um espaço de tempo curto. O jeito é deixar o tempo passar mesmo.

jerrysuperpop:

 
Vale deixar claro também que não estou colocando a culpa dessa necessidade de falar de nós LGBTTT's em cima de nós mesmos. Na verdade, não dá para apontar culpados. Somos todos nós. É inclusive simplista e generalista esperar que as pessoas que estão "inseridas" em determinadas "categorias sociais" se comportem da mesma maneira. Sei de LGBTTT's, por exemplo, que são racistas, misóginos, contra o casamento de pessoas do mesmo gênero, que despejam ódio contra os próprios LGBTTT's, além de outros preconceitos.

Mas isso não é "privilégio" dos LGBTTT's e estamos todos cansados de saber e vivenciar isso. As construções sociais e familiares de conduta direcionam nossos pensamentos e ações.

O que eu quero dizer é que na minha mente, nós poderíamos estar a anos-luz em relação aos direitos humanos, mas não estamos. E não estaremos tão cedo. Não é fácil mostrar pro mundo que as coisas mudam. Que certas coisas não podem continuar do jeito que são.

Também, é muito difícil determinar o que seria certo e o que seria errado. Se for para fazer uma definição, arrisco uma: é ter o direito de ser feliz sem impedir o direito do outro de ser feliz. Sim, é complexo, é difícil e vamos arrastar isso, possivelmente, por toda eternidade, mas quem sabe um dia a gente chegue perto de permitir a existência do direito do outro em ser feliz para também possamos utilizar o nosso direito.

PS: Como ainda é bem complicado entender as questões de identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico, acho válido colocar isso aqui sempre que preciso! 

domingo, 22 de setembro de 2013

Por que eu te assusto?

Resolvi a pensar pelo outro lado da situação GLBTT. Na verdade, resolvi pensar pelo lado daqueles que não aceitam que nenhuma pessoa esteja dentro da sopa de letrinhas nos quais os não heterossexuais estão inseridos sejam do jeito que são.

Por que assusta tanto não ser heterossexual? Por que é tão necessário ficar discutindo tanto isso?

É incrível essa necessidade mundial de apontar para qualquer coisa relacionada a não heterossexualidade. Parando para pensar, isso é meio ilógico. O que afeta tanto assim na vida das pessoas?

Acho que até eu já enchi um pouco disso. Discute-se muito a vida das pessoas. Não tem outra coisa para ser discutida não? Todo dia abro jornais e tem algo falando sobre a sexualidade alheia. Por que a gente não discute sobre caráter? Sobre filosofia? Quem sabe a gente não pode discutir sobre como ações individuais podem fazer algo pro bem geral.

A gente é tão atrasado! Somos Homo sapiens há tanto tempo, mas mesmo assim estamos tão atrasados! Quando a gente vai dar uma evoluidazinha? Quando que vai dar pra ser gente? Porque do jeito que tá, estamos mais para projeto. 

O bom é que, pelo menos, têm projetos mais avançados! E eu deixo pra lá os mais atrasados, que estão (erroneamente) preocupados com a sexualidade ou etnia alheia do que com o caráter (próprio).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Por favor, goste de mim

No último final de semana, viajei com uma amiga e duas amigas dela que eu não conhecia. Essa amiga é mais velha que eu: já foi casada, tem um filho e, portanto, deveria fugir do estereótipo de amiga de viado! Bem, ela foge, em partes!

Ela é uma pessoa bem importante, não só porque saímos juntos várias vezes, mas também por conversarmos bastante e por ela conseguir me compreender bem e eu a compreender também. Estive junto dela quando, há alguns poucos anos, ela estava no processo de separação, assim como ela esteve junto a mim no meu processo de aceitação e "contação" para minha família.

O bacana é que ela nunca me olhou diferente, nunca julgou e nunca pregou nenhum tipo de preconceito. É uma daquelas pessoas que te conhecem a fundo, que sabe dos seus sonhos, que fica tempos sem se falar, mas não muda nada.

Ponto interessante foi o interesse das duas amigas dela com relação a minha sexualidade. Embora sejam pessoas bem instruídas, desconheciam algumas informações relevantes sobre a homossexualidade. Mas não entenda mal: não as culpo. Compreendo que é complicado ter informações apuradas quando se não se tem um convívio grande com o "trem" (= "coisa", "objeto") (sou mineiro, dá um desconto!) em questão ou não pesquisar bastante sobre o assunto.
Expliquei quando uma delas usou o sufixo "-ismo" que, embora muitos não concordem que o termo dê uma conotação de doença, este é um termo que sim ofende (assim como hoje ninguém deveria usar "aidético" ou "cadeirante" (neste último caso, pode ser usado "pessoa com mobilidade reduzida") e pode ser facilmente trocado pelo termo correto.

Outro ponto foi quando me perguntaram quando eu decidi ou descobri que eu era gay. Primeiramente, perguntei à elas quando elas decidiram ser heterossexuais e que não me importava com a questão que procuram de "quando" a pessoa se "torna" gay. Falei que era importante para a biologia e a psicologia isso, mas o fato é que eu sou gay e é algo que não vai mudar e, com todo o coração, posso falar que é algo que eu jamais gostaria de mudar em mim. Não me colocando em uma situação de vantagem, mas sinto muito feliz em ser como sou e, na minha concepção, poder ter mais consciência do que se passa com as pessoas que são marginalizadas por serem minorias (ou não!) pela sociedade branco-hetero-classe média-cristã-normativista. Novamente, esse é um conceito que eu tenho sobre mim, o que não quer dizer que se eu fosse hetero ou heterossexuais não possam ter a mesma ou uma consciência melhor do que a minha, o que é completamente e indiscutivelmente possível.


Bem, a viagem não serviu apenas para descansar um pouquinho, mas também para conhecer novos lugares, novas pessoas e adquirir conhecimento. O pouco de conhecimento a mais que adquirimos pode ser fundamental para quebra de paradigmas e desconstrução de preconceitos.

Mas, vou ser honesto... o que me motivou a escrever o post de hoje é esta série australiana que dá o nome ao post: Please like me é uma séria fofa, que faz viajar e que conseguiu amolecer um coração que havia esquecido de sonhar. Eu não aguento essas coisas de casal fofo porque eu me derreto. Acho que eu tava órfão disso desde que eu acabei de assistir Queer as Folk (claro que não era o casal Brian e Justin! E sim Mike e Ben! <3 ).

Portanto, fica aí a indicação que eu queria guardar só pra mim!!! Vi três episódios só hoje e já chorando que só tem mais três e depois vou ter que aguardar a segunda temporada (as fotos do post são dos episódios da primeira temporada). Prevejo alguém repetindo os capítulos da série desesperadamente. Tipo Shelter! Nunca vi Shelter menos que 12 vezes!

E já que está nesse clima amor demais, vou compartilhar minha grande paixão atual: Ed Sheeran! Sim, tô amando e sofrendo! MIM DEIXA!


Boa semana a todos! (Sério... que dia é hoje?)