quarta-feira, 14 de novembro de 2012

VEJA, indispensável para o que você quer ser.

O título do post é o slogan usado em 2011 pela revista de maior circulação no país. Será que você quer ser o que a VEJA quer que você seja?

Se você vive nesse país, não assina a linda revista supracitada e utiliza das redes sociais, você sabe o que aconteceu esta semana. A (sic) linda, maravilhosa, totalmente imparcial, digna de confiança e credibilidade (/sic) revista VEJA publicou um artigo (sic) maravilhoso (\sic) esta semana sobre homossexuais. Caso você ainda não esteja por dentro do que se trata, pare de ler agora e veja aqui primeiro a VEJA, depois volte!

Enfim... você que já sabe (ou que agora sabe), soube das ridículas comparações e argumentos imensamente ridículos do jornalista prestador de desserviços no Brasil, o sr. J.R. Guzzo. Não vou estender e detalhar a imbecilidade de tal cidadão: isso ele fez sozinho!

O fato é que eu não consegui compreender como uma revista que, embora reconhecidamente ridícula e parcial, prosseguiu com uma publicação tão absurda, sem argumentos que sustentem seus pontos de vista e, inclusive, utilizando vários argumentos incorretos.

Embora, para mim, não passa de uma trágica tentativa de promoção da revista (visto que, se você pensa, não precisa lê-la!), o texto irresponsável do jornalista está conseguindo fazer um barulho nas redes sociais. No Facebook, as pessoas estão utilizando de alusão à cabra e ao espinafre para criticar os posts da revista.

Muitos vão pensar, claro, que o "ativismo de sofá" não adianta, mas a questão não é só se apresentar em rede social sobre um ponto de vista pessoal: é expor para os outros. Talvez, sem o comodista "ativismo de sofá", o também imbecil jornalista Walter Navarro talvez não tivesse sido afastado do jornal O Tempo devido a sua matéria "Guarani Kaiowá é o c... meu nome agora é Enéas", na qual ofende as pessoas que se mobilizaram pela causa dos índios e, ainda pior, incentivou o suicídio dos índios para acabar com todo o problema. Novamente, não vou entrar nesse caso. Imbecilidade não precisa nem muito discutir.

O jornalista da VEJA ressaltou bastante o fato de haver 50 mil assassinatos no Brasil por ano, sendo que seriam somente 300 de homossexuais. O que ele não é inteligente o suficiente para compreender é que, dentro os 50 mil, com certeza, há um número exorbitante maior que os 300 homossexuais que organizações como o Grupo Gay da Bahia estimam. A questão é que são 300 SERES HUMANOS assassinados por ano no Brasil por crime de ódio! São 300 vidas perdidas pelo fato de serem quem são; pelo fato de gostarem de pessoas do mesmo gênero; pelo fato de serem homossexuais! Será que é difícil entender a diferença de "crimes comuns" (assalto, sequestro, latrocínio, assassinato, etc) para crimes de ódio, contra gênero, cor da pele (não usarei "raça"!), religiosidade e condição sexual?

Não estou dizendo que há crime bom! Por favor, entendam: a questão é que em um latrocínio, possivelmente o ladrão não está preocupado em saber se o carro é de um judeu ou um bissexual. Nos crimes de ódio, sim! As pessoas matam por conta disso! Mais uma vez, qualquer tipo de crime é abominável e amoral! Não entendam errado! O blog "Quem a homofobia matou hoje?" reporta vários crimes contra LGBTT's. O BLOG CONTÉM MATERIAL FORTE. TENHA CONSCIÊNCIA DISSO ANTES DE ACESSÁ-LO.

Felizmente, alguns excelentes textos estão sendo divulgados pela rede e vão contra o posicionamento do jornalista. Alguns textos são "Veja que lixo", do deputado federal Jean Wyllys, e "Não é só homofobia: 10 erros do texto 'Parada gay, cabra e espinafre' publicado na Veja" da Manu Barem, "A falácia da falsa discriminação" do Carlos Orsi e a "Nota Pública de repúdio ao artigo 'Parada gay, cabras e espinafres'" do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - CNCD-LGBT da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal.

Portanto, só nos resta sermos críticos e lutar não para os nossos direitos, mas pela igualdade. E, claro, termos discernimento para que a VEJA continue a ser totalmente dispensável para o que nós queremos ser (ou somos).