quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Eu, o odiado?

Tô querendo falar de um assunto ainda polêmico (#mamilos!) embora eu já tenha falado sobre isso aqui: religiões. (Por favor, se você já sabe que ficará muito chateado(a) em ler isso, não leia!)

PFVR, entendam: não se trata de uma obsessão ou rancor, raiva, ou sei lá o que seja, mas quando uma coisa externa afeta sua vida por conta do jeito que você é, obviamente causa impacto na sua vida. 

Então quanto ao desrespeito a crença, a descrença ou a não crença de uma pessoa é a mesma coisa de homofobia: você está indo contra a algo pessoal. Obviamente, não entrarei no mérito aqui das possibilidades: crença é mutável; condição afetiva, nops!

A questão de entrar nesse assunto é que esse ano eu tenho avaliado a minha fé (ou não fé) em divindades e vejo que basicamente eu fui obrigado a "engolir" algo. Basicamente como se faz com a famigerada "heteronormalidade". Desde a infância ninguém te prepara para ser gay, da mesma forma que não te preparam para você ter autonomia de escolher o que quer com relação à fé: você somente absorve aquilo que lhe é passado.

Portanto, descobrir-se sem fé é absolutamente como descobrir-se gay. Você até sabe que tem algo diferente em você, que "todo mundo" tem e você não (ou vice-versa). E sim, é preciso igualmente a sair do armário. As pessoas são chocadas: um gay é um ser promíscuo, sem pudor e um ateu é aquele que não tem valores, que pensando que é mais importante que deus ele faz o que quer da vida sem saber que deus o julgará e o enviará por inferno por não acreditar no ser supremo do universo?

Sério. Por favor, me diga que não é assim que as coisas acontecem?

Você se assume gay e as pessoas dizem que você não sabe o que está falando. Assim quando você fala que não acredita no Jeová. (sim, vou utilizar o nome "Jeová" porque é o nome pelo qual é conhecido o deus do cristianismo, assim como Allah está para o islamismo, ou Shiva, Ganesha, Brahma e outros diversos deuses indianos).

Você fala que é gay e as pessoas falam que deus vai te julgar por isso. Assim como se mostrar sem fé.

O que me parece é que as pessoas não sabem se defender dos seus medos: precisam se apoiar em algo "maior" para sobreviverem. Mais uma vez, por favor, não me julgue errado: isso é um ponto de vista. Eu não estou julgando a fé dos outros, estou buscando o respeito a minha não crença. 

Para contextualizar o porquê desse post é que foi solicitado para mim, no meu trabalho, de uma forma extremamente embaraçosa, uma doação para uma igreja evangélica para uma ação de caridade, para ajudar a viciados em drogas, mendigos e outras pessoas que precisam de assistência. O meu primeiro pensamento, obviamente, é que essas instituições já obtêm dinheiro demais, mas a questão prosseguiu: o dinheiro seria para ajudar aos que necessitam se inscreverem no programa de assistência da igreja. Numa tradução clara: a pessoa que precisa de ajuda deveria pagar para a igreja uma quantia para se inscrever. Aí, para mim, o mundo veio ao chão. Foi a primeira (e espero que última) vez que eu vi que a pessoa que precisa de ajuda precisa pagar para caridade. A pessoa não está contratando um psicólogo para ajudá-la com seus problemas: a igreja, tecnicamente, ofereceu ajuda só que cobrando.

Eu já disse: eu não acredito e não concordo com religiões. Uma coisa é fé: aquilo que você acredita. Outra coisa é religião, que te faz seguir as regras daquilo que ela criou e toma como certas.

Felizmente, tudo muda! Todos aí estão aparecendo mais (tanto gays como ateus, agnósticos e sem religião). Estão sem medo, sem vergonha de sermos quem somos. Se a sociedade julga como errado, o problema é dela: ela vai ter que se adaptar e mudar seu pensamento. Um dia, assim espero, verei uma sociedade que não precisará enfiar na cabeça de ninguém que ser heterossexual e/ou cristão que é o certo: o certo será ser você, com princípios, com valores, com caráter. E isso é definido naturalmente: é fazer pelo o outro aquilo que você quer que façam por você e não fazer aquilo que você não quer que façam com você. O livro mais indicado para ajudar nisso, com certeza, se chama Constituição Federal (embora, óbvio, ainda existam coisas muito erradas lá, mas, pelo menos, ela evolui e capaz de trazer mais coisa boa para todos!).

Retomo tudo isso porque eu acho um absurdo quando alguém fica chocado pelo fato de eu ser ateu e isso quase sempre é ainda maior que o fato de eu ser gay. Felizmente, eu acho que não tem que se chocar com nenhum dos dois, mas olha eu aí, todo preocupado em ser feliz do que ser o odiado (gay + ateu = eu). Mas, JAMAIS tô me fazendo de coitadinho (nunca precisei!). Se não gosta de mim? PFVR deita na BR!!! E eu lindo vou passar ao lado!!!

PS1: só pra acabar, fica a dica: quem não sabe argumentar, conversar parte para a guerra e muitos saem feridos. Aprender a tolerar as diferenças e aceitá-las é o primeiro passo de uma conversa entre qualquer tribo diversa. Não julgue os chineses por comerem carne de cachorro, se você come de vacas, que são sagradas na Índia. E quem não devolve o troco que veio a mais, você não tem muita moral para criticar o político corrupto e muito menos perguntar porque a corrupção no país é assim...

PS2: Se você pensar "então pq vc discute sobre algo que não acredita?" a resposta já foi dada: é porque afeta a minha vida e de muitos outros! O fato de eu não acreditar em ET's não faz ninguém olhar torto pra mim e me julgar como mau caráter!