domingo, 29 de janeiro de 2012

É a sua vez de aceitar

Ei aí! Primeiro, muito tempo sem postar, né? Tem gente que até me xinga, certo, piá? Mas então...

uma coisa sobre escrever é certa: quando você está triste/chateado parece que as coisas "fluem" mais fácil. É difícil de falar de felicidade e eu sinceramente não sei porquê. Talvez seja porque você está feliz, você queira aproveitar todos os momentos e acaba não tendo muito tempo para coisas que te "desviem" dessa felicidade.

Mas isso não é muito aplicável comigo em relação ao blog. Como eu já disse, isso aqui, algo tão banal para muitos, é algo muito muito muito importante para mim, não somente é um espaço onde me permite ou eu me permito ser o que realmente sou. Uma versão daquele que sou, mas que às vezes fica escondida por diversos motivos. E, claro, não tenho como não falar das mensagens que às vezes recebo, por comentário ou coisa assim, e os amigos que eu fiz por causa do blog. Certas coisas na vida valem muito, muito mesmo!
Então, seguinto a facilidade de escrever por estar triste/chateado, eu falo de um episódio que aconteceu agora a pouco. Como sabem, me assumi a pouco mais de um mês para minha mãe e minha irmã e isso tem sido um grande desafio para minha mãe. O "processo de aceitação" dela parece ser tão delicado quanto o meu. Nós não moramos na mesma cidade, então nosso contato não é diário e, geralmente, é um ou dois finais de semana por mês, então conversas são feitas por telefone.

Fim de semana retrassado, quando estávamos juntos, ela reclamou da minha "exposição exagerada" no Facebook da minha opçã... oops... condição sexual. Tal "exposição" é pelo fato de eu compartilhar fotos que recriminam o ódio a qualquer coisa, não só aos gays. Eu expliquei a ela que eu sempre fiz isso, mas talvez seja agora que ela esteja, de fato, percebendo as coisas.

Bem, não falamos muito mais sobre o assunto até hoje, agora a pouco... eu disse a ela sobre a existência do GPH - Grupo de Pais de Homossexuais e o fascinante trabalho que eles fazem. Disse a ela que poderia conversar com eles, para que entendesse melhor o que passa ou o que passará. Entender que as coisas não são e não funcionam da forma caricata que a mídia coloca. Mas ela não se interessou. Na verdade, diz que eu não sou o único "problema" dela. Disse que precisa de tempo para digerir tudo e novamente pediu para que eu não fosse tão "descarado".

Eu fico no meio do caminho entre compreender o que ela quer dizer e o quanto isso me faz sofrer, quanto suas palavras me doem. De uma maneira um pouco infeliz, disse a ela que sinto que parece que "eu" morri, e surgiu um outro "eu"que não é digno, que perdeu todo seu caráter simplesmente pelo fato de ser gay.

Retrucou dizendo que novamente precisava de um tempo, pois você cria um filho com suas perspectivas e tudo parece se perder. Novamente suas palavras doem como se tivessem colocando um uma marca de ferro no peito. E não é frescura! É um sentimento desse tipo, como se não importasse mais nada: você é gay!

Sei que ela não quer dizer isso e não é sua intenção, mas dói, dói muito. Parece que aquilo que você foi durante todos os seus anos acaba no instante que você conta (embora ela já sabia, ou imaginava) que você é gay. E eu ainda não consigo entender qual a dificuldade das pessoas em entender que caráter não tem nada a ver com a condição sexual. O gênero da pessoa que eu beijo pouco importa na definição do meu caráter e não afeta em nada na minha dignidade, mas as pessoas não enxergar isso. Elas só enxergam o que querem ver.

Eu fiquei muito triste e decepcionado com a minha mãe. É, com certeza, a pessoa que eu mais amo no mundo. É uma pessoa com uma capacidade intelectual boa, não é daquelas pessoas ignorantes, mas, infelizmente, no seu quintal, a sua grama não é tão verde quanto a do vizinho. Isso não tem a ver com inveja, mas com medo e, com algo mais absurdamente ridículo: com vergonha.

Infelizmente eu novamente fico entre a minha esperança dela de compreender as coisas e a compreensão disso. De fato, eu entendo a "vergonha" que ela pode estar sentindo e o "medo" que ela com certeza tem das pessoas e da família saber de que eu sou gay. Eu já senti isso - a vergonha de ser quem eu sou. Hoje, eu tenho uma vergonha ao contrário - eu tenho vergonha das pessoas que não conseguem suprir seu preconceito e que atacam ou aqueles que não querem conviver com gays ou preferem que fiquem longe, ou mesmo daqueles que dão educação adequada para seus filhos e, portanto, jamais serão gays (lembranças para Claudia Leitte [who?] e o marido dela).

Claro que eu não vou deixar nem um pouco de amar a minha mãe por conta do atual preconceito dela. Infelizmente, as referências dela são da mídia (leia-se Globo) e, portanto, nada confiantes, de extremo exagero e pouquíssimo conteúdo. Mas quero sim que ela compreenda e saiba que tem muito, mas muito mesmo, além do que a falha e vazia teledramaturgia global passa.

Embora doa (e muito), sei que é um passo necessário. Infelizmente ela ainda não se mostrou aberta para compreender melhor as coisas, mas ok... ela precisa do tempo dela. Eu tive o meu. Nada como dez anos. Só espero que o dela seja um pouco mais breve.

Abraços!!!
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29/01 - Dia Nacional da Visibilidade Trans

Preconceito vencemos juntos e com informação.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Borracha eletrônica

Oi aí!

A verdade de hoje é que eu escrevi, apaguei... escrevi de novo e apaguei de novo o post...

Enfim, o que eu talvez queira falar hoje fica só com a música que ficou na minha cabeça o dia inteiro. Acho que talvez seja uma das músicas que eu vou querer cantar junto um dia para O alguém especial...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Expectativas

Então, enfim chegou 2012!
Bem... o começo do ano não tem sido o melhor, mas isso é momento. Vai passar! Tem que passar!

Não tem nada a ver com minha solterice. Não tá pesando isso, por enquanto. Segundo os astros, o ano não vai ser muito bom na parte do coração. Então não foram criadas muitas expectativas. Ok que eu não tenho que ficar olhando o horóscopo - só estou deixando isso ir do jeito que tem que ir: sem pressa, sem atropelos e sem expectativas demais.

Também não tem a ver com minha saída do armário. Na verdade, não mudou muita coisa. Eu não sei se sequer vi alguma mudança. A questão é que algumas coisas bobas, de conversar com amigos, por exemplo, não precisam ser escondidas. E também não tem falando que fulana ia ser uma namorada! Isso é muuuuito bom de não ter que ouvir!

Enfim, problemas e problemas que aos poucos devem se ajeitar. Mas sempre dá aquele medo de nada dar certo. De tudo ficar preso. De nada ir para frente. Até pensando lá para frente mesmo. Agora que as coisas estão um pouco mais abertas, aparece um outro lado que fica adormecido.

Parece que as vezes a vida é toda cheia de camadas: você espera por algo para atingir um outro nível. E agora, com as coisas mais abertas e o menor medo de "ser descoberto", eu viajo lá para o futuro e de como ele vai ser.

Medo dos sonhos não darem certo. Medo de nunca dar certo profissionalmente. Nunca dar certo como uma família.

Sei que esse é um medo quase geral, mas tudo parece mais difícil para quem não está na "heteronormalidade" (odeio essa palavra!). Eu não estou me vitimizando, mas estou sendo realista. Às vezes dá um medo de saber se as pessoas no seu trabalho vão reagir, simplesmente pelo fato de uma pessoa ser gay. Ou se eu estiver conversando com uma amiga na rua e alguém encrencar com a gente, simplesmente por não gostar de gays. É estranho, mas os casos de homofobia não são premeditados. Acontecem. E isso dá medo de acontecer.

Dá outros tipos de medo, claro. De nunca encontrar alguém que, de fato, valha a pena. Essa coisa de ser romântico e acreditar em algo mais não é uma coisa fácil de sentir! Mas tudo bem... é algo que é para sentir. Ainda bem que sinto! É melhor sentir medo do que não sentir nada.

Gente... desculpa esse post sem noção! Às vezes é bom falar coisas que vem! Mesmo que desconexas, que não façam muito sentido. Às vezes, o que se quer, é algo que não se sabe o quê!